4 de fevereiro de 2013

Lições de uma tragédia

Blog Palestrante Rogerio Martins

Todos nós ficamos chocados quando alguma tragédia acontece, mesmo que não tenhamos nenhuma ligação direta com os fatos ou pessoas. É da natureza da raça humana nos sensibilizarmos por situações que causam dor e/ou perda a outros de nossa ou de outras espécies. Há um instinto natural para a solidariedade e isto nos torna ainda mais humanos, diferenciados.

A história da humanidade está recheada de casos onde alguma tragédia mobilizou milhares de pessoas ou ainda comoveu tantos outros milhares. Exemplos não faltam, mas destaco três: a tragédia ocorrida em Santa Maria/RS, onde diversos jovens morreram sufocados com o incêndio provocado por uma sucessão de erros e falta de responsabilidade generalizada (muitos faleceram por tentar ajudar outras pessoas); o caso das enchurradas no Rio de Janeiro onde muitas pessoas perderam parentes/amigos e bens materiais (e continua acontecendo a cada ano); e as crianças que foram “assassinadas” por seus pais (caso dos Nardoni entre tantos). Isso tudo nos faz pensar sobre quais lições podem ser aprendidas.

Pode parecer cruel num momento como este onde muitas famílias choram a perda de pessoas queridas alguém falar em lições de uma tragédia. Porém, outra característica fantástica dos seres humanos é sua capacidade de reagir às situações da vida. Especialistas deram o nome a esta habilidade de “resiliência”.

Mas como, então, ser um resiliente? Certamente pode parecer mais fácil agir desta forma quando não estamos diretamente envolvidos no caso. Quando não somos os protagonistas de alguma situação trágica. Porém, isso não é verdade. A forma como cada pessoa reage a este tipo de situação é única, mas existem certos padrões de comportamento.

Pessoas com maior grau de resiliência conseguem reagir aos fatos em tempo menor que outros. Não quer dizer que são menos sensíveis aos acontecimentos, muito pelo contrário. Ouvi de uma das mães que perdeu sua filha na Boate Kiss (Santa Maria) que a morte dela não foi em vão. Disse que sua filha viveu a vida de forma marcante e isso a confortava. Veja, este é um pequeno exemplo de como é possível aprender com uma tragédia.

É natural sentir a perda de forma intensa, mas a lição é não se deixar levar e viver somente a dor, a perda. Ficar triste, com saudade, até revoltado com uma situação traumática é uma reação normal. Porém, a lição é compreender que a vida continua e nada mais pode ser feito. 

Outra lição fundamental é a prevenção. Algumas tragédias servem como referência para melhorias ou mudanças de atitudes. Aprendemos através de situações ocorridas com a gente ou pessoas próximas. Contudo, há muito aprendizado com situações que acontecem com outras pessoas, até mesmo desconhecidas. 

Refletir e discutir sobre estas tragédias são formas de lidar com as mesmas e também retirar algumas lições. Nada irá trazer de volta as vidas perdidas, mas muito pode ser aprendido para evitar que outras tragédias aconteçam. Por isso pense o que você tem feito para fazer sua vida valer a pena. 

Certa vez ouvi a seguinte uma frase que levo como um lema de vida, que era mais ou menos assim: viva de tal forma que as pessoas não chorem quando você morrer, mas sorriam ao lembrar do quanto você foi importante e marcante na vida delas. Taí mais uma lição para se colocar em prática!

 Rogerio Martins  é Psicólogo, Palestrante, Escritor e Professor Universitário. Siga-me no Twitter (@rogermar), no Instagram (@martins_rogerio) e no Facebook

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