28 de fevereiro de 2011

O líder desequilibrado acaba com a equipe



Recebo constantemente mensagens de pessoas que pedem orientação sobre como lidar com chefias desequilibradas, desorientadas e até "ignorantes" no trato com a equipe. Mensagens que chegam de todas as partes do Brasil com histórias bastante semelhantes. Algumas são chocantes pelo conteúdo e forma como algumas pessoas tratam seus funcionários. Não irei relatá-las aqui, pois não iria acrescentar ao objetivo deste texto.

Recentemente uma pessoa me escreveu, dizendo que pediu demissão da empresa que trabalhava por uma situação ocorrida com seu chefe que acabara de retornar de férias. Este chefe, após o período de férias onde provavelmente descansou e deveria voltar "mais leve", chegou dando bronca geral e até xingando algumas pessoas por serviço mal realizado. Uma pressão total. Caso típico de desequilíbrio emocional no ambiente de trabalho.

Certamente que as pessoas reagem de forma diferente ao modo como são tratadas. Há pessoas que conseguem ter uma resposta rápida e produtiva quando alguém xinga ou coloca pressão. Outras se encolhem, erram mais, tornam-se mais medrosas, faltam mais ao trabalho e assim por diante. O fato é que este tipo de atitude da chefia isso vai minando, com o tempo, o moral da equipe. As pessoas vão se sentindo fragilizadas, menosprezadas.

Por mais resiliente que seja algum ser humano, há limite. O limite chega no momento em que há falta de respeito. O velho e bom RESPEITO.

Pessoas que ocupam cargo de chefia/liderança tem cada vez mais a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso das organizações através de suas atitudes. Os quadros funcionais estão cada vez mais enxutos e as pessoas já trabalham sob maior pressão de resultados e qualidade. Quando ainda tem de enfrentar um líder desequilibrado emocionalmente não há equipe que funcione.

Muitas das grandes e médias organizações já perceberam isso e investem no treinamento e aprimoramento de suas lideranças. Outras empresas menores também estão ligadas neste movimento, mas algumas ainda insistem em manter em seus quadros lideranças à moda antiga.

O mundo mudou, as pessoas mudaram e forma de gerenciar pessoas também. Quanto maior a exigência por qualidade e resultados, maior deverá ser a qualidade do líder que comanda a equipe. Certamente que não é fácil, para quem ocupa esta posição, lidar com a diversidade de reações humanas frente ao mesmo estímulo, mas ainda assim é preciso maior preparo emocional do líder.

Quanto aos funcionários que se sentem humilhados ou prejudicados pela forma como são tratados por suas chefias há diversas alternativas. A escolha do que fazer depende da gravidade dos acontecimentos e da abertura que se tem com as lideranças da empresa. O ideal é começar com uma conversa franca com a chefia imediata, passando pelo relato do ocorrido com a chefia superior, posteriormente a área de Recursos Humanos e em último caso, quando a gravidade for extrema, a acusação de Assédio Moral.



O aspecto importante nestas situações, é lembrar que esta relação - entre chefia e subordinado - deve passar pelo princípio universal do respeito ao outro. Quando falta respeito, não há colaboração, comprometimento, produtividade e qualidade. Como consequência há perda, retrabalho, ação judicial, danos a imagem corporativa etc.

Portanto, faz-se necessário o investimento da empresa e do próprio líder em sua formação técnica e, principalmente, comportamental. Treinamentos de liderança são importantes, mas dependendo do caso somente um trabalho de coaching será realmente eficaz. O ideal é desenvolver um programa de médio a longo prazo, onde o indivíduo possa aprimorar suas habilidades de liderança e entender seu real papel neste novo mercado profissional: gerenciar pessoas.

Rogerio Martins é Psicólogo, Palestrante, Escritor e Professor Universitário
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