3 de outubro de 2011

A culpa nossa de cada dia

Palestrante Rogerio Martins
Você se sentiu culpado por alguma coisa nos últimos dias? Algo que fez ou deixou de fazer? Sentiu-se cobrado por você mesmo(a)? A culpa nossa de cada dia é implacável. Muitas vezes aparece sem pedir licença e se instala em nossos pensamentos. Pronto: vai tentar se convencer que não vale a pena sentir culpa?

Pois é, meu amigo e minha amiga, a culpa é nossa inimiga invisível e corroe nosso entusiasmo. Para algumas pessoas ela é maior em função da educação que teve na infância e adolescência. Para outros os fatores religiosos e culturais pegaram forte. Há tantas razões para nos sentirmos culpados no dia a dia...

O fato é que lidar com a culpa diária requer um esforço ainda maior. Por isso, há quem prefira se sentir culpado do que ter que batalhar contra isso. De certa forma dá mais trabalho. A acomodação ajuda a engrossar o coro dos "coitados".

Oh, coitado!
Aliás, a palavra coitado é muito perigosa. Já parou para pensar na origem dela? Coitado vem de coito, ou seja, coitado é aquele que está em posição de ser currado ou molestado sexualmente. Quando há consentimento tudo bem, mas quando não há...

A culpa é um fenômeno social. Antes do descobrimento do Brasil os índios andavam nus sem nenhuma culpa de exibir seu corpo, até porque a sexualidade para eles era algo natural. Com a chegada dos portugueses e seus códigos morais os índios foram mudando seus hábitos e hoje vemos a maioria vestida de modo totalmente descaracterizado de sua origem.

Nós passamos por isso quando nos sentimos culpados de não estar na moda. Não conseguir acompanhar todas as notícias veiculadas. Quando alguém pergunta: você não sabe disso? É como uma bomba atômica em nosso sentimento de culpa.

O mundo dos perfeitos
Atualmente temos de ser perfeitos, lindos, orgânicos, politicamente corretos, defensores das minorias, ativistas políticos, competentes, bons amantes, carinhosos sem sermos melados, melhores líderes e por aí vai. A lista é imensa e se você não se enquadra em pelo menos dez delas você está fora do jogo. Aí seu sentimento de culpa pode levar a depressão. Mas como a depressão é uma doença moderna pode até ser chique.

Pára tudo que quero descer! Gente, culpa é para quem tem auto-estima muito baixa. Quem não gosta de si mesmo e se ocupa com o que os outros pensam. Uma coisa é cuidar da saúde porque isso vai tornar sua vida melhor. Outra coisa é neurotizar por causa de uma dieta ou porque comeu um pedaço de bolo ou chocolate. A vida é muito maior que isso.

Precisamos fazer melhores escolhas ou as escolhas certas. Mas não temos como saber se cada escolha é a melhor ou a certa. Quando sentimos culpa por uma escolha errônea estamos perdendo a chance de ver que esta era uma possibilidade e que a vida nos traz diversas outras.

Um caso de culpa mal resolvida
Certa vez realizei um trabalho de coaching para um grupo de líderes de uma empresa metalúrgica do ABC. Em determinado momento um dos participantes, que vou chamar de Antonio, trouxe uma questão que o afligia. Algum tempo atrás ele teve um desentendimento com um amigo que trabalhava na mesma empresa, mas em outro setor. Este amigo estava para ser demitido e ele sabia, mas não podia falar. O amigo dispensado ficou sabendo que nosso protagonista tinha conhecimento de sua demissão e não o avisou. Ficou triste, chateado e rompeu a amizade. O fato acontecera há mais de dois anos e Antonio ainda guardava culpa pelo ocorrido. Ele não se sentia a vontade para procurar o amigo e expor sua versão da situação, pois achava que ele o rejeitaria. Este sentimento guardado estava o tornando triste e amargurado.

O que fazer?
A melhor decisão numa situação como esta, que é bastante comum, é procurar a pessoa para uma conversa franca. Pode acontecer três situações e você se livra da culpa em cada uma delas:
1. O outro não querer te receber ou ouvir sua versão. Com isso sua culpa acaba, pois você tentou e o outro é quem não quis saber. Portanto, você está livre para continuar sua vida normalmente.
2. O outro atender você, mas não aceitar sua versão ou desculpas. Da mesma forma que a anterior sua culpa acaba no momento em que expôs sua posição.
3. Ambos conversam e chegam a um acordo e a relação continua, mas certamente diferente, pois agora vocês se fortaleceram para partilhar sentimentos e opiniões.

Quanto ao Antonio? Até onde sei ele falou com seu amigo, depois de muito tempo pensando em como faria isso. Não tive mais contato com ele para saber se permaneceram amigos ou não.

Lembre-se: a vida nos traz muitas oportunidades, por isso, não perca tempo e energia com sentimento de culpa que pode ser resolvido com suas atitudes!

Grande abraço e sucesso!

Rogerio Martins é Psicólogo, Professor, Palestrante e Escritor. 
Siga @rogermar no Twitter, @martins_rogerio no Instagram e venha curtir a página do Facebook.

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