1 de junho de 2015

A importância da segurança pessoal no trabalho

Palestrante Rogerio Martins

Durante anos participei ativamente da comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA) nas empresas onde trabalhei. Foi uma experiência fantástica. Aconselho que a maioria das pessoas tenha esta experiência, pois você vivencia situações que nunca terá acesso normalmente. Também fui membro da Brigada de Incêndio.

Entre estas experiências destaco quando fui presidente da comissão em uma destas empresas. Na época a empresa tinha cerca de 1.000 funcionários e atuava no segmento metalúrgico. Foi um grande desafio, pois as gestões anteriores fizeram aquilo que é de praxe: documentação, SIPAT e nada mais. Empolgado com a ideia, lembro que abracei a causa e para meu espanto, na época, quase fiquei sozinho. Aos poucos fui percebendo que há muita vontade, mas pouco conhecimento e prática sobre segurança pessoal. Os profissionais que atuam diretamente com a área (Engenheiros e Técnicos de Segurança), têm um esforço hercúleo de mostrar para as pessoas o que é o mais importante: a própria integridade física e mental no ambiente de trabalho.

O que percebi e presenciei é o "descaso" das próprias pessoas no que tange a sua própria segurança. Por mais que se realizem comissões e semanas de prevenção é preciso ir além... é preciso tocar fundo na consciência de cada pessoa quando o assunto é a própria segurança. Para isso é preciso sensibilizar constantemente cada trabalhador, seja com intervenções, palestras, manuais, campanhas e outras ações que possam "abrir os olhos" para a importância da preservação da própria vida.



O PODER DO HÁBITO

No livro “O Poder do Hábito” o autor, Charles Duhigg, relata a interessante história do presidente da empresa Alcoa, Paul O’Neill, que quando foi pronunciar seu discurso de posse para acionistas, jornalistas e a diretoria da empresa iniciou assim: “Quero falar com vocês sobre segurança do trabalho. Todo ano, vários funcionários da Alcoa sofrem ferimentos tão graves que perdem um dia de trabalho. Nosso histórico de segurança é melhor do que a média da mão de obra americana, principalmente levando em conta que nossos empregados trabalham com metais a 1.500 graus  e máquinas capazes de arrancar o braço de um homem. Mas ainda não é suficiente. Pretendo fazer da Alcoa a empresa mais segura dos Estados Unidos. Minha meta é índice zero de acidentes.”

Charles Duhigg explica: “A plateia ficou confusa. Estas reuniões geralmente seguiam um roteiro previsível: um novo diretor executivo começava se apresentando, fazia uma falsa piada autodepreciativa e depois prometia alavancar os lucros e baixar os custos. Em seguida, vinha uma severa crítica aos impostos, às normas comerciais... Por fim, o discurso terminava com uma enxurrada de palavras da moda – sinergia, proativo e cooperação.”

O fato é que esta atitude do novo presidente transformou a Alcoa – uma das maiores, mais antiquadas e mais potencialmente perigosas empresas do país – numa máquina de lucros e um bastião da segurança. Porém, isso tudo não foi fácil, pois era necessário mudar hábitos há muito tempo arraigados na cultura organizacional. Para Paul O’Neill “todos mereciam sair do trabalho tão ilesos quanto chegaram. Ninguém deveria ter medo de morrer sustentando a família.”


Quantos gestores você conhece que tem esta postura frente à segurança do trabalho? Tenho enfrentado, com muita satisfação, o desafio de lecionar a disciplina Fundamentos da Qualidade e Segurança do Trabalho. Há alguns anos já leciono o tema ERGONOMIA, que também tem a ver com segurança do trabalho. O que ouço com frequência de meus alunos é a falta de consciência por parte de gestores e líderes de empresas para este fator importante: a segurança pessoal. Será que ainda estamos vivendo na era medieval quando o assunto é a manutenção da vida? É preciso aprender com a experiência da Alcoa e outras empresas que entendem a importância que a segurança pessoal tem para o aumento da produtividade, da qualidade e dos resultados. Este é o grande desafio: conscientizar gestores e trabalhadores em geral que a vida é nosso bem mais importante!

Rogerio Martins é Psicólogo, Palestrante, Escritor e Professor Universitário. Siga @rogermar no Twitter e venha curtir a página do Facebook.

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