16 de fevereiro de 2009

Sobre Carnaval, Robinho e Gisele Bundchen


Responda rapidamente: quais as profissões do momento? Errou quem apontou medicina, engenharia, direito, odontologia etc. Acertou quem pensou: jogador de futebol, cantor(a), modelo etc.

Até algumas décadas atrás os pais queriam que seus filhos estudassem para se formar doutor em alguma profissão que lhes garantisse o futuro. Estas profissões estavam diretamente relacionadas ao campo da medicina, engenharia, advocacia, odontologia, contabilidade e outras mais tradicionais.

Nesta época ser artista era coisa de marginal. Jogador de futebol nem pensar. Modelo era coisa de menina perdida. Os tempos mudaram e estas profissões antes discriminadas tomaram grande popularidade e fama. O dinheiro veio junto.

Hoje os garotos sonham com Robinho, Kaká, Keirrison e companhia. As meninas com Gisele, Isabeli, Mariana Weickert, Vanessa de Oliveira e companhia. Ambos sonham em chegar onde chegaram Ivete, Zezé e Luciano, Sandy, Jota Quest e tantos outros.

Os paradigmas de sucesso e fracasso profissional mudaram. A estabilidade desejada por profissões acadêmicas vem sendo assolapadas por outras onde a fama, o dinheiro rápido e hiperexposição são mais importantes.

O próprio carnaval que era uma festa popular vem se profissionalizando com o passar dos anos, tanto no Rio de Janeiro, quanto em Salvador, Recife e outros locais. São novas oportunidades de negócios. São profissões que antes ninguém imaginaria ou aceitaria. Hoje, ostentam com orgulho a alcunha de Puxador de Samba, Carnavalesco, Ajudante de Barracão, Costureira etc.

Quando poderíamos imaginar que o maior vendedor de discos do país seria um padre? Sim, Padre Fábio de Melo, que já vendeu aproximadamente 600 mil cópias de seu CD lançado no fim de 2008. Ele foi o recordista em vendagem de discos no país no ano passado.

E o que dizer de Robinho? Segundo reportagem da Revista Veja (04/02/09), o jogador que iniciou sua carreira recebendo 1 mil reais nas categorias de base do Santos Futebol Clube, hoje recebe 6 milhões de euros por ano, em valores líquidos. Não bastasse o dinheiro, veio a fama.

Vale pensar que pessoas como as já citadas geralmente não cursaram uma faculdade ou até mesmo um curso secundário. Enquanto muitos brasileiros apostam suas fichas nos vestibulares para as profissões de doutor e, em muitos casos, terminam a graduação sem nenhuma perspectiva de emprego ou renda; as profissões do momento vislumbram os mais jovens e incautos.

No brilho do ganho fácil, da profissão fácil, da fama fácil e tudo mais que vem fácil, aparece o insustentável: falta de formação básica. Profissões e atividades efêmeras criam uma atmosfera fantástica de sucesso. Quando o sonho acaba o gosto duro da queda é sentido pela falta de um planejamento e formação adequados.

Por isso, por mais que mudem os tempos. Por mais que apareçam novas profissões calcadas na fragilidade da celebridade momentânea, o que vale é a base. Quem estrutura um bom alicerce dificilmente tem um futuro incerto.

Sucesso...
Cadastre-se no Boletim